Tecnologia e Criança

Blog sobre novas tecnologias e o seu impacto ao lidarmos com nossas crianças, tanto como pais quanto como professores.

Monday, July 31, 2006



Os grandes especialistas em uso de novas tecnologias, como o Pierre Lévy, sempre alertam para a importância de ficarmos de olho nas tendências, não nas tecnologias em si.

E uma tendência que está crescendo a cada dia é a tecnologia da colaboração. Espaços compartilhados onde várias pessoas podem ser autoras do mesmo documento. O exemplo mais bem sucedido é a wikipedia. É hoje uma referência internacional, uma enciclopédia construída por qualquer um, mas que conseguiu manter sua confiabilidade apelando para a co-edição, e com a ajuda de especialistas das áreas. Tudo na base de trabalho voluntário, pelo gosto de ver o esforço dar certo. Muito depende do código de ética de quem participa para garantir a manutenção da qualidade.

Além de colaborativo, o espaço é extremamente dinâmico. Se alguma informação ficar ultrapassada, pode rapidamente ser atualizada. Se passar algum erro, outro autor que pegar esse erro pode rapidamente corrigi-lo. E com isso, todos saem ganhando pois virou um material riquíssimo de consulta.

É dessa maneira que nossas crianças terão que aprender a trabalhar. Terão que aprender o que é colaborar, ser autor, ser responsável pelo que publica. Hoje existem blogs, wikis, softwares colaborativos, espaços compartilhados. A parte técnica é fácil e as crianças já fazem isso até pelo celular. Adoram escrever para amigos e compartilhar suas idéias. Eu acho que o nosso maior trabalho é ensiná-las a fazer isso de maneira responsável. Passar valores e princípios éticos para que cresçam como cidadãos virtuais tão responsáveis como queremos que sejam no mundo real.

Imaginou como seria o nosso mundo se todos aprenderem a compartilhar e contribuir o seu conhecimento e suas idéias livremente e de maneira produtiva e ética? O momento é agora de tomarmos as rédias e ensinarmos as nossas crianças e jovens a usarem bem esses espaços, criando assim uma cultura que trará muito progresso.

Tuesday, July 25, 2006

Com o aumento do uso de tecnologias de comunicação (telefones com SMS, MSN messenger, salas de bate-papo, comunidades virtuais como o Orkut) pelas nossas crianças e adolescentes, esses seres que adoram conversar sobre tudo, muitas coisas positivas aconteceram. Eles expandiram seu círculo de amizade, encontraram espaço onde podem se expressar.

Mas como todo mundo novo, tem o seu lado perigoso. Eu acabei de ler um artigo sobre um fenômeno preocupante - o cyber bullying (quando um grupo de crianças pega no pé e torna a vida de um colega um inferno). Como em qualquer sociedade, infelizmente vemos a manifestação de intolerâncias, medo do diferente.

Muitos psicólogos abordam esse tema, que chega a atingir níveis graves, principalmente na adolescência, quando a intolerância parece aumentar por várias razões.

Nesse artigo, fiquei feliz de ver que a Inglaterra decidiu fazer uma iniciativa federal, onde o governo está enviando para pais e escolas orientações de como prevenir e lidar com esse fenômeno. Sugestões disciplinares são dadas para as escolas que pegam as crianças agindo assim, e dicas preventivas são dadas para crianças que podem estar se expondo sem querer.

A pesquisa que fizeram demonstra que 1/3 das crianças sendo perseguidas virtualmente não falam nada para adultos. Sofrem caladas. Mais do que nunca é importante os adultos começarem a preparar melhor as crianças para conviverem em segurança no mundo virtual.

Meu irmão coloca isso muito bem: "Se fôssemos mandar nosso filhos para a Amazônia, daríamos um monte de instruções, orientações, cuidados a serem tomados, daríamos as injeções necessárias, ou seja, nós os prepararíamos para enfrentar o novo ambiente em segurança. Colocar nossos filhos no mundo virtual não é diferente. É um novo mundo, um novo ambiente, e precisamos ensinar as nossas crianças a lidar com as vantagens e os perigos. Senão estaremos sendo irresponsáveis."

Como nós adultos somos de uma geração que não cresceu com a tecnologia, o que alguns chamam de imigrantes digitais, não nos sentimos seguros o suficiente para orientar nossos filhos, que chamam de nativos digitais. Parece que eles sabem mais do que nós! Mas essa impressão, que intimida a muitos para que fiquem em silêncio, é errada, pois as crianças continuam ingênuas, inexperientes. Não importa o ambiente, cabe a nós adultos mostrar para elas o caminho de como conviver bem em sociedade, adquirir valores e princípios e agir com integridade.

Para saber mais sobre educação digital, vale a pena visitar o blog de uma das maiores especialistas nessa área, a Prof.a Cristina Sleiman.

Monday, July 24, 2006


Voltando a falar de tecnologias que permitem que crianças se tornem autoras, que possam publicar o seu trabalho (aliás, um grande enfoque do programa Laptop $100), eu cheguei a mencionar rapidamente em outro post um programinha chamado JClic. Vou falar mais um pouquinho sobre ele pois é gratuito e relativamente fácil de aprender. Clicando no link neste texto, você vai entrar na página que explica tudo sobre ele, inclusive como baixar e instalar.

Esse programa basicamente permite que se criem atividades como quebra-cabeças, jogo da memória, busca palavras e outros jogos para ajudar na memorização de conteúdos, vocabulários, fixar leituras, o que o professor quiser fazer. Existem outros programas que criam esse tipo de atividade, como é o caso do Hot Potatoes por exemplo. Quem usa Moodle (outro LMS gratuito e com ferramentas bem interessantes) tem acesso a esse programa.

O que temos feito é ensinado aos nossos professores como usar esse programinha, e eles têm experimentado criar atividades, principalmente de fixação e revisão. Usamos muito na 5a e 6a séries, e as crianças adoram. Eles pedem que coloquemos as atividades que fazemos em aula no site. Muitos refazem a atividade várias vezes, só para tentar melhorar sua pontuação. E enquanto "jogam", acabam fixando muito bem o conteúdo a ser aprendido. É um típico exercício de "drill and practice" - fixação. Não apela para os níveis de pensamento mais altos, mas é uma parte muito importante do processo de aprendizagem.

Aí você pode estar pensando: "Mas como as crianças são autoras com esse programa?" Confesso que até agora só chegamos ao primeiro nível de uso do programa, onde só os professores criam as atividades e os alunos as fazem. O segundo passo, que já vi acontecer em várias escolas, é deixar o programa disponível para os alunos criarem as atividades. Eles se tornam os autores. Claro que isso exige muito mais tempo e planejamento, o que nem sempre temos disponível com um currículo já tão apertado. Mas quando é possível, e o aluno cria uma atividade que depois pode ser disponibilizada na web e compartilhada com outras crianças (ou da mesma classe, ou para séries mais novas, aí cada um decide), aí ele tem que aprender muito sobre o assunto para poder criar a atividade. A criança terá que planejar, buscar material, elaborar a atividade e executar seu plano. Isso é riquíssimo em termos de aprendizagem.

E não precisa tirar muito tempo da sala de aula para fazer isso. Imagine, se um professor lançar esse desafio para uma turma, e cada dupla de alunos ficar encarregado de criar UMA atividade, depois junta-se todas e cria-se um "livro de exercícios" da classe, isso pode ser feito rapidamente (em até duas aulas) e o resultado fica rico e utilizável por todos. E no fim, as crianças podem se divertir tentando resolver os outros exercícios que os colegas fizeram. Imaginaram que bela revisão?

Não é difícil começar a criar atividades que ensinem às crianças as habilidades e competências do século XXI. É assim, devagarinho, que vamos transformando a educação formal.

Thursday, July 20, 2006

Sem querer mudar drasticamente de assunto, eu tenho que compartilhar uma experiência muito legal que demonstra bem como está ficando a nossa relação com a tecnologia, o que para nós adultos é novidade e para nossas crianças é seu dia a dia. A conectividade é uma coisa impressionante.

Essa é a foto de meu novo telefone celular. Meu marido comprou para mim nos Estados Unidos há uns 3 meses. Ele comprou na internet, em um site que mostra todas as lojas que vendem um produto e você pode comparar os preços e mandar buscar o que você achar melhor. Como um bom site da Web 2.0, os compradores colocam "reviews" onde classificam a qualidade de serviço da loja, e você pode ver o grau de confiabilidade do lugar onde você escolhe comprar. O próprio site junta vários serviços para você, como acontece com o site da Amazon (www.amazon.com).

Esse aparelho é fantástico. Eu já tive agendas eletrônicas, mas nenhuma conectada nem à internet, nem à telefone celular. Como faz diferença. Para vocês terem uma idéia de como isso pode ser útil - levei só esse aparelho ao congresso que fui agora. Lá eu pude ler meus emails nesse aparelho pois ele conecta via rede Wi-Fi. Eu podia fazer chamadas usando o chip GSM (era só trocar o chip que tenho da Tim por um chip que temos da Cingular lá). Eu podia ouvir as coisas via meu fone de ouvido blue tooth.

Com esse aparelho, aproveitei para gravar as palestras que gostei. E a qualidade de som foi muito boa. Agora posso aproveitar os meus blogs para colocar as palestras no ar e compartilhar com quem se interessar. E se alguém quiser, graças ao RSS, pode ficar sabendo toda vez que eu colocar mais uma palestra. Basta ele se "inscrever" (subscribe) no meu blog. No caso, coloquei no meu outro blog em http://cmattos.multiply.com.

Ainda posso ver documentos Word, Excel, PowerPoint, PDF... enfim, tudo que posso fazer em um computador. Eu podia baixar na hora as apresentações dos palestrantes do site do congresso, na hora em que eles falavam.

E essa tecnologia toda custou apenas $270,00! A tendência é ficar cada vez mais barata! Imaginou que daqui a pouco os nossos alunos estarão usando esses aparelhos ou até outros que vão fazer muito mais? Não vou dizer que a tecnologia está completamente perfeita ainda. Tem falhas. Mas o mundo mudou muito! O jeito de assistir aulas vai mudar muito! Quando prepararmos uma aula agora, precisamos já pensar em fornecer material para esses alunos conectados também! Temos que aproveitar que eles tem tanto acesso, e fornecer conteúdos bons em formatos compatíveis.

É... já não se fazem mais crianças como antigamente... :-)

Tuesday, July 18, 2006

Eu sempre gosto de explorar tecnologias simples, de preferência gratuitas, e poderosas. O que eu considero poderoso? Tecnologias que permitem que a criança trabalhe o seu raciocínio, que ative o cérebro, que a faça aprender a se organizar, e outras habilidades que a ajudarão a sobreviver nesta era da informação.

Ferramentas de autoria são boas para isso. Eu chamo de ferramentas de autoria softwares que estão livres de conteúdo. Ou seja, são neutros e podem ser aplicados para qualquer conteúdo. Oferecem ferramentas onde a criança pode criar as suas próprias coisas.

Alguns exemplos desse tipo de ferramenta são o JClic (http://clic.xtec.cat/es/jclic/index.htm), os brinquedos muito legais do Google (Google Earth, Google 3D Sketchup que está sendo lançado agora, entre outras) e uma tão batida que já está ficando desprezada: o PowerPoint da Microsoft.

Eu sei, tem gente que já rolou os olhos para cima quando o PowerPoint é mencionado! Mas esta ferramenta tende a ser mal compreendida e mal utilizada. Por ter sido exageradamente adotada, e muitas vezes de forma errônea, tendemos a deixá-la para trás e procurar coisas melhores, menos estereotipadas quem sabe. Quem que aguenta ficar vendo aqueles mesmos templates de slides?

Mas não vamos desprezar o PowerPoint. Ele tem muito a oferecer, inclusive em termos de criatividade! Primeiro, você pode usar o slide mestre para fazer seu próprio template. Você pode ensinar as crianças a elaborarem um slide que reflita mais o estilo delas. Muda-se a cor de fundo (ou até coloca uma foto pessoal), customiza-se os tipos de letras, seu tamanho, cor... Depois que ela criou seu próprio estilo, pode-se incentivar que ela use o PowerPoint para aprender a resumir idéias, organizar pensamentos, buscar palavras-chave. Se orientar a criança a fazer um PowerPoint bem feito, a ferramenta e suas limitações podem justamente ajudá-lo a ter que saber analisar e sintetizar informações. Se a criança tentar colocar muito texto no slide, ele passa a ser ilegível. E se colocar só texto, sem figura, passa a entediar seus colegas durante a apresentação. A criança vai ter que aprender a equilibrar o material da tela para fazer uma apresentação lógica, interessante, relevante e com conteúdo correto.

Se quiser ir mais adiante, ensina a criança a fazer animações, usar imagens, vídeos, sons e até a própria narração, com tempo cronometrado. Ela pode fazer um filminho.

Uma vez eu fiquei muito impressionada quando estava visitando uma sala de aula de 4.a série em uma escola em Nova York. Era uma escola 100% laptop, e a professora estava ensinando sobre o ciclo da água. Os alunos foram divididos em grupo e cada grupo tinha que explicar um pouco sobre a água. Um dos grupos tinha que explicar como a água chegava até a torneira de sua casa. Os alunos fizeram uma animação, tudo no mesmo slide. Quando tocava a animação, aparecia a represa e a casa deles. À medida que ia passando o tempo, iam aparecendo canos saindo da represa até chegarem na casa. A animação dava a entender como esses tubos tiveram que ser construídos. Depois de completada a ligação dos tubos, a água "escorria" da represa até a casa, a torneira abria, e a água fluia para dentro da pia.

A professora me falou que eles bolaram isso sozinhos. Eles tinham isso contado na forma de texto no livro deles, e eles "traduziram" o texto neste pequeno filminho, todo feito em PPT. Eles mesmos desenharam os objetos (haviam mais de 100 objetos no mesmo slide) e tiveram a paciência de animá-los um a um para dar o efeito desejado.

Eu achei que eles aprenderam muito com essa atividade. Tiveram que primeiro compreender bem o texto, planejar a estratégia de como iriam apresentar, elaborar os desenhos e depois animar e testar cada um até chegar ao efeito desejado. Essas crianças tinham apenas 9 anos de idade! E adoraram fazer. Garanto que nunca vão esquecer como a água chega à torneira.

Você pode pensar: tem ferramenta melhor do que o PPT para isso! E tem mesmo, mas era o que a professora tinha disponível para ela. E é o que muitos irão ter a disposição. Não preciso deixar de fazer um projeto assim tão interessante só por que não tenho a melhor ferramenta para aquilo.

Outra professora que conheço faz os alunos dela fazerem mapas conceituais aproveitando as formas disponiveis no PPT. Ao preparar os mapas deles no PPT, já ficam prontos para apresentar suas idéias. E podem animar seus mapas para as idéias aparecerem só na hora que desejarem durante a apresentação.

Tem tanta coisa legal e nova saindo e sendo criada, e nem começamos a explorar bem o que já temos. Às vezes ficamos perdidos tentando englobar tudo que está por aí, mas é importante para nós educadores (pais, professores, qualquer um que entre em contato com crianças) pararmos de vez em quando e tentarmos usar melhor o que parece hoje banalizado. Nem começamos a explorar todo o potencial das ferramentas do nosso dia a dia.

Às vezes eu me sinto nessa área de tecnologia educacional como se estivesse em uma churrascaria. Não pára de vir carne. Nem dá tempo de terminar de cortar a primeira carne, já tem mais 3 sendo servidas. O que eu aprendi a fazer foi pegar uma carne, virar a madeirinha para o lado vermelho, aproveitar aquele pedaço ao máximo, e depois virar de novo para o verde para ir saboreando cada coisa com calma e aproveitando ao máximo. Temos que fazer o mesmo com essa enxurrada de informação e tecnologia. Temos que perder a afobação de sempre usar o novo, e aprender a aproveitar bem cada uma, nem que seja menos por vez.

Sunday, July 16, 2006


Estou neste momento explorando o mundo dos podcasts. É a ferramenta do momento.

Foi um dos tópicos mais quentes da conferência na Califórnia (NECC), e é mais uma ferramenta que poderá permitir às crianças acesso tanto a informações, jogos educacionais, fatos interessantes, projetos globais quanto a poderem ser autores, criarem seus próprios programas de rádio para um público autêntico.

Quem baixar o iTunes do site da Apple (www.apple.com) pode entrar no Music Store e procurar podcasts. Tem muitos shows gratuitos. Eu pessoalmente acabo de me inscrever em assuntos de tecnologia (tema Technology), com especialistas que falam sobre as últimas tecnologias e como estão sendo usadas nas escolas e por crianças, como podcasts com projetos educacionais (tema Education), muitos inclusive na área de línguas estrangeiras. O fator limitante por enquanto é que esses podcasts estão em inglês. Mas acho que isso é um desafio para nós. Está na hora de nós criarmos os nossos shows em português.

Tem muitas idéias legais de projetos para podcasts. E a tecnologia é simples de usar. Tem softwares gratuitos disponíveis para publicarmos podcasts. Aí fica a critério da escola se prefere que os professores criem os shows, ou se permitem que os alunos tenham mais essa alternativa de se tornarem produtores. A idéia é muito legal, pois o aluno tem que planejar muito bem para poder produzir um show. Com isso ele adquire uma série de habilidades interessantes.

Só para dar uma idéia, um professor de geografia criou um podcast com dicas de onde ele está, e as escolas participam fazem o mesmo. Se você consegue adivinhar onde a escola se localiza, seja por relevo, clima, marcos, latitude e longitude, etc, a escola te manda um cartão postal. É um projeto global.

Você pode também pensar em colocar material de revisão online, pois o podcast permite audio junto com imagem, e até vídeo. Aí o aluno pode baixar o arquivo e ver em seu iPod.

Idéias é que não faltam. O interessante é tentar deixar a atividade divertida para motivar o aluno a buscar mais. Isso para os menorzinhos. Para os maiorzinhos, eles já perceberão o valor de uma boa revisão quando estiverem preocupados com o vestibular.

Com essa tecnologia RSS, uma vez inscrito em um programa, o próprio computador ou iPod baixa novos episódios quando esses se tornam disponíveis. O usuário não tem que ficar se preocupando em ir atrás do que é novo. Ele fica atualizado automaticamente.

Estou ficando muito entusiasmada com essa nova tecnologia. É gratuita, fácil de usar, e com muito potencial! Fiquem de olho nela!

Saturday, July 15, 2006

Falando no OLPC, o mais legal desse projeto é que a idéia é provocar mudanças em como a educação é feita, o processo de aprendizagem. Baseado nos ideais de Seymour Papert, o projeto é fortemente baseado nos ideais construcionistas, onde a criança ganha ferramentas que permitam que ela aprenda a aprender. Ela faz atividades que mostram para ela como ela pensa, como ela aprende. Ao criar programinhas e joguinhos, ela vai vendo o próprio raciocínio, aprende com os próprios erros. Ela cria hipóteses, testa, reavalia, testa de novo, e assim por diante. (Como bióloga, eu adoro ver o bom uso da metodologia científica).
Ao entregar um computador para cada criança, ela não fica mais dependendo só da escola para aprender. Qualquer lugar se torna um lugar para aprender, ela pode buscar informações, criar materiais, responder perguntas que talvez outros de sua comunidade carente não tenham condições de responder.
E com a educação melhorando, principalmente nessas comunidades carentes, teremos mais pessoas capazes de tomar decisões melhores. Eu acho que essa é a única esperança para mudar o que estamos vendo hoje, nesse país tão desesperançado. Temos que acreditar que as coisas podem e vão mudar, e o caminho está na melhoria da educação.
Você pode pensar, mas não tinha lugar melhor para gastar tanto dinheiro? Laptop é prioridade com tanta criança passando fome? Eu acredito que é um investimento ótimo sim, pois vai provocar mudanças em larga escala e tem um efeito de permanência e sistematização que nenhum outro investimento pode trazer tão rapidamente. Temos que começar em algum lugar. Por que não por aqui?

Monday, July 10, 2006


Acabei de voltar de um congresso chamado NECC (National Educational Computing Conference), em San Diego na California. É um congresso anual sobre tecnologia nas escolas, e é muito interessante pois é para professores do ensino fundamental e médio, e é uma troca de experiências entre professores, alunos e consultores nesse nível de educação.
Diferente dos outros congressos acadêmicos, primariamente voltados para o nível universitário, aqui as palestras são bem práticas, com idéias para uso imediato em sala de aula. As exposições também mostram novas idéias, novos usos de antigos softwares, novos softwares sendo desenvolvidos, e por aí afora.
Eu acompanhei mais o que estava acontecendo na área de uso de blogs, wikis, podcasts e tudo que tem a ver com a chamada Web 2.0 e o famoso RSS (really simple syndication). Esse protocolo está permitindo que as pessoas se inscrevam ao site de outros, seja para um blog de seu interesse, seja para acompanhar um podcast sobre certo tema. E automaticamente o site te avisa quando tem novidade. Essa é a tendência da tecnologia. Ela começa a automatizar o acesso às informações, e te ajudar a gerenciar essa sobrecarga a qual estamos submetidos diariamente. É um conceito muito interessante e bem prático, e algo que as crianças de hoje crescem acreditando que foi sempre assim, sem nem imaginar tudo que tem por trás. Eles acham muito natural o computador levá-los para assuntos de seu interesse, aprender algo sobre seus gostos e preferências e já oferecer idéias para eles, baseado na análise de seus perfis.
Esse é o fantástico mundo novo.
E está ficando cada vez mais acessível, graças ao projeto do OLPC (One Laptop per Child), liderado pelo renomado Nicholas Negroponte. Mas isso é assunto para outro blog! :-)