Tecnologia e Criança

Blog sobre novas tecnologias e o seu impacto ao lidarmos com nossas crianças, tanto como pais quanto como professores.

Wednesday, May 21, 2008



Novo modelo do Laptop de US$100


O Nicholas Negroponte não parou o seu projeto. Eles continuam inovando e contribuindo de forma fantástica para o desenvolvimento de uma ferramenta para incluir crianças no mundo digital.


Para ver a reportagem completa sobre o lançamento desta nova idéia, visite o link http://blog.laptopmag.com/first-look-olpc-xo-generation-20.


O que eu gostei deste modelo é que não só ele resolve problemas de fragilidade de teclado, mas também trabalha com o conceito de colaboração, facilitando o uso por mais de um usuário simultaneamente. Mais uma vez vemos um projeto que pensa em tecnologia sem esquecer da pedagogia. A filosofia educacional está inserida no design, algo que não se vê em computadores normais, feitos para a indústria e empresas.


O conceito de comercialização também é includente. Todos podem ter um. Você compra um para você, e paga por um que será dado para uma criança carente. Ninguém fica sem!


Estarei aqui torcendo para que dê tudo certo, e já estou na fila para comprar o meu! :-)


Sunday, April 06, 2008


Visita ao Media Lab do MIT


Para quem gosta de tecnologia e criança como eu, visitar o Media Lab do MIT foi um sonho realizado! Tive oportunidade de ir conversar com o Mitchel Resnick na sexta feira dia 28 de março (estava em Boston participando de uma conferência internacional para professores de ciências, o NSTA), e ele mostrou a linha de pesquisa que estão seguindo para fazer melhor uso da tecnologia e promover uma maior aprendizagem, especialmente com crianças pequenas. O grupo dele, chamado de Lifelong Kindergarten, foca trabalhar a criatividade, a pesquisa e a aprendizagem através de brincadeiras gostosas.


Desenvolveram o Scratch (que já mencionei em post anterior) e o Cricket (também já mencionado). Estão agora em fase de implantação, buscando escolas parceiras para testar as suas idéias, sua aplicabilidade, avaliar seu verdadeiro impacto e contribuição.


Para terem uma idéia de como é o laboratório e a filosofia de trabalho, vejam essa reportagem sobre Ciência e Tecnologia da Globo (http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM810002-7823-O+SUPRASUMO+DA+TECNOLOGIA,00.html).
Trabalhar as habilidades e competências que eles estão desenvolvendo vai bem de encontro à filosofia da Web 2.0 e empregos que estão aparecendo no século 21. Para quem tem interesse em saber quais os melhores usos da tecnologia junto às crianças, ver o trabalho desse grupo de pesquisadores é imprescindível. Espero que outros também possam ter o privilégio que eu tive de ir ver de perto onde todas as idéias fantásticas são geradas.

Monday, March 17, 2008


Os mini-computadores estão chegando!


A Innovation for Learning, empresa baseada em Chicago, já está testando um novo modelo de handheld para crianças - o Teachermate. Não é um PDA, mas sim um computador super simples, mais parecido com os jogos que as crianças tanto adoram, só que com softwares educacionais desenvolvidos por eles mesmos, e testados e avaliados por pesquisadores independentes. O mais impressionante é o custo - apenas US$ 50,00!
A idéia é reforçar a aprendizagem da leitura e da matemática. Ao jogar, a criança está aprendendo sem nem perceber.
A empresa já vem fabricando software educacional há muitos anos, e o maior impecílio para que as escolas os adotassem era o fato de não terem computadores para as crianças usarem. Ou eram máquinas muito velhas, ou eram muito poucas, ou nem funcionavam. Então a Innovation decidiu fazer o aparelho acessível para que seus softwares pudessem ser usados, e aí sim o impacto na aprendizagem pudesse ser medido. Foi juntar a fome com a vontade de comer.
Vai valer a pena continuar acompanhando as pesquisas sendo feitas pelas universidades em cima desse programa. Como eu acabei de falar no meu post anterior, a tendência é simplificar e baratear, tornar a tecnologia realmente acessível e ubíqua. Esse parece ser mais um caminho interessante sendo explorado. E o melhor de tudo é que, com cada iniciativa e novidade, quem vai sair ganhando são as crianças!


Thursday, March 13, 2008

Computação 1:1








A discussão continua aquecida quanto ao uso do modelo 1:1 na sala de aula. Já foi feito um primeiro leilão do governo para ver que computador seria adotado no programa da UCA, e a Intel acabou ganhando com o Classmate. Mas no final, ainda não se chegou a uma decisão definitiva.
O uso de um laptop leve e barato com certeza trará muitos benefícios para os alunos, suas famílias, e até para a comunidade na qual estão inseridos, principalmente em regiões que não têm recursos. Será uma maneira de incluir os isolados da globalização, abrir novos mundos e novas possibilidades para eles.
Agora, outra tecnologia que está entrando espontaneamente na sala de aula são os smartphones (como esse da Apple, e muitos outros já disponíveis). Esses aparelhos trazem toda a conectividade que um jovem poderia desejar! Tem diversão (música, vídeos), conexão (wi-fi ou por telefone), navegação (internet, messenger, etc), e até funciona como telefone! :-) Os aparelhos com Windows Mobile oferecem todos os programas da Microsoft, calendário, lista de tarefas, email, word, pdf, powerpoint... acho que já deu para ver o leque de possibilidades que isso abre.
Já estamos vendo alunos espontaneamente fazendo pesquisas do assunto que o professor está explicando, complementando a aula com dados atuais. Outros alunos já baixam o material do site para o seu smartphone, para poder ir lendo tanto na hora, como depois.
Para o modelo de aula mais expositiva, estes aparelhos são perfeitos complementos. O preço é acessível, e são aparelhos que os jovens já manipulam, tornando sua adoção natural, intuitiva. Uma verdadeira tecnologia ubíqua e transparente (o sonho dos que trabalham com tecnologia educacional).
Claro que tem suas limitações, e vai se encaixar melhor em certos modelos de aula. Essa é a beleza de ter tantas escolhas de tecnologia. Uma complementa a outra, supre o que faltar na outra.
As escolas precisam já ficar atentas a essa nova tecnologia, celulares 3G, PDAs, etc. Os sites das escolas e os materiais digitais oferecidos precisam estar prontos para serem visualizados nas pequenas telas.
Esses aparelhos são mais uma prova de que o futuro já chegou. Estamos preparados?

Monday, January 14, 2008


Second Life no Ensino Médio?

Ano passado tivemos uma inundação de reportagens e congressos sobre o Second Life na educação. Chegou a tal ponto que decidimos fazer uma pesquisa com todos os nossos alunos, para saber que tecnologias de Web 2.0 estavam usando, e o que os interessava. Descobrimos que dos 2700 alunos pesquisados, 3% tinham ouvido falar em Second Life, e menos do que isso se interessou de entrar. Pelo visto não é a praia deles. Ao contrário do fenômeno Orkut, que ainda está no top da lista com quase 100% de uso.
Não chegamos a explorar os motivos desse desinteresse. Será que exige muita banda, será que precisa de uma máquina com uma placa de vídeo que nem todos têm? Seja qual for o motivo, se tivesse tido o apelo aos jovens que o Orkut teve, eles teriam dado um jeito de superar esses obstáculos.
É muito interessante observar esses fenômenos sociais na web. Como saber o que vai atrair o jovem ou a criança? Nós educadores temos que estar sempre atentos para perceber essas tendências, e aprendermos a usar as mesmas ferramentas que eles. Assim os nossos filhos e alunos perceberão que não estão nos deixando para trás, mas que podemos falar na mesma linguagem.
Parece que, mesmo que o Second Life não tenha decolado com os jovens, a Disney achou uma fórmula boa para atrair crianças. O Clube dos Pinguins foi o primeiro de vários mundos que a Disney está lançando. Eles oferecem algo que os pais querem - proteção e segurança. É um lugar onde a criança pode conversar com outros, mas dentro de certos limites. Eles têm só certas palavras que podem usar (não tem bate-papo livre), e os pais podem escolher uma série de filtros.
Como educadores, devemos sempre ser cautelosos antes de pular em um "novo barco". Em se tratando de novas ferramentas, precisamos ver se é isso mesmo que vai ajudar nosso público alvo, e que benefícios reais estão sendo trazidos para a aprendizagem. Só por que algo ficou tão divulgado na mídia, não significa que será o melhor para o nosso trabalho.

Monday, December 04, 2006

Vídeo na Sala de Aula

Esse ano temos visto uma tendência crescente pelos adolescentes de adotar vídeo como forma de apresentação de trabalho. Ano passo isso já começou a acontecer em alguns grupos, e esse ano parece que a moda pegou mesmo!

Temos várias WebQuests sendo feitas por professoras de Português, Inglês e História (citando apenas algumas), além de projetos interdisciplinares envolvendo Cidadania e Simulações internacionais de fóruns sobre Economia, Terrorismo e Saúde (Projeto ICONS). Esses projetos oferecem oportunidade dos alunos escolherem diferentes formas de apresentarem seus trabalhos, e, como já falei, muitos escolheram usar vídeos.

Hoje isso é fácil para eles, pois usam até o celular como filmadora. Filmam pequenos trechos, depois editam usando programas como o Movie Maker que já vem com o Windows, ou o software da própria câmera que usaram. E é incrível o nível de produção desses jovens cineastas! Usam efeitos de transição entre cenas, colocam títulos, músicas, escolhem o ângulo de filmagem e cuidam da iluminação para dar os efeitos desejados, alguns lembram de tomar cuidado com o som... enfim, estamos lidando com alunos que mesmo amadoramente já estão demonstrando noções de filmagem. E como são criativos em seus roteiros e histórias, sem falar nos figurinos e cenários.

Vamos procurar encorajar e oferecer mais oportunidades para que façam isso, pois preparar um filme exige uma série de habilidades e competências que uma aula mais formal não oferece oportunidade de desenvolver. Os alunos aprendem a planejar, tomar decisões, elaborar um roteiro, cumprir cronograma, reorganizar idéias, entre outras coisas. Todas habilidades que lhes servirão muito bem depois no mundo profissional, ou mesmo na faculdade.

Do ponto de vista pedagógico, é uma maravilha! Já do ponto de vista técnico, nós estamos tendo que rapidamente criar regras para regulamentar isso e permitir que todos possam mostrar seus trabalhos em sala de aula sem aquele aviso que já nos traz arrepio: "Não foi encontrado o CODEC!". :-) É incrível quanta coisa temos que verificar tanto na hora de produzir o vídeo, como no computador na sala de aula, para ter certeza de que tudo vai funcionar.

A dica que dou é a seguinte - adotamos duas estratégias para evitar esses problemas no futuro:
  • A equipe técnica da escola está toda fazendo curso de preparação de vídeo para saber exatamente tudo que envolve tecnicamente.
  • Adotaremos procedimentos comuns para os projetos que possam envolver vídeo. Já elaboraremos orientações para os alunos, assim todos usarão os mesmos plug-ins e codecs que possamos garantir estar presentes em todas as máquinas do colégio, assim garantiremos que todos possam assistir o fruto do seu trabalho. Provavelmente adotaremos o Moviemaker mesmo, pois já vem no Windows e podemos ter certeza de que todos nossos alunos tenham acesso em casa. Também padronizaremos o tamanho do vídeo para garantir que as máquinas aguentem rodar sem causar frustrações.

Com isso, esperamos providenciar uma experiência recompensadora para todos. Os resultados mostram que é um investimento de tempo e esforço que vale a pena. Essa nova geração realmente está integrando multimídia em sua forma de comunicar idéias.

Outra preocupação a ser levada em consideração é o aspecto ético do uso de vídeo. Também notamos a importância maior do que nunca de educarmos esses jovens para usar essas ferramentas sem infringir os direitos de outros. Já pegamos vídeo de aulas filmadas sem permissão, e colocadas no YouTube por exemplo. Felizmente, alguns jovens vieram pedir permissão para as pessoas filmadas para ver se podiam deixar o video lá, e respeitaram o desejo da pessoa (quer fosse para deixar, ou para tirar). Isso mostra que nossos jovens estão conscientes da importância de respeitar o outro. Já outros, colocaram sem nem pensar em pedir permissão. Aí entra a educação digital. Não adianta querer proibir simplesmente, assim o jovem não aprende nada. Temos que aproveitar o que está acontecendo para ensinar a fazer direito, mostrando que ele tem um papel de cidadão no mundo virtual tanto quanto no real.

Cabe à escola ajudar pais, alunos e toda a comunidade a saber lidar de maneira segura e ética com as novas ferramentas. Para isso precisamos ajudar todos a conhecer essas ferramentas, e depois abrir espaço para mostrar como fazer para garantir que essa rede de conhecimento possa ser usada de maneira proveitosa para todos. Quem sabe conseguiremos construir uma sociedade melhor pelo menos no mundo virtual, ao invés de deixar os defeitos da sociedade real permearem esse novo mundo? E essa visão começa em nossas crianças. Temos que educá-las de forma a lidarem corretamente com essas ferramentas todas.

Thursday, November 23, 2006

É incrível a velocidade de avanço tecnológico. Estamos começando a aprender a lidar com a Web 2.0, e já li artigo falando a respeito da Web 3.0! Pelo que entendi, a Web 3.0 será uma web mais semântica. Vai lidar com a área de inteligência artificial. Como é isso? Imagine que você quer viajar. Na Web 3.0, quando você faz uma busca por locais ou hotéis, o resultado já viria de acordo com o seu perfil. A ferramenta de busca saberia se você é uma pessoa mais sedentária ou esportista, se é mais jovem ou mais velho, se gosta de aventura, se prefere calor ou frio... e o resultado já seria na forma de um pacote completo, atendendo a todos os seus gostos! O computador passaria a fazer recomendações de acordo com o seu perfil!
Parece incrível, mas não está tão longe de acontecer. Hoje já temos sites como a Amazon que "aprendem" o que você gosta e passa a te mostrar informações de forma priorizada. Na multidão de informações que existem hoje, essa ajuda será mais do que bem vinda!
É... esse é o mundo de nossas crianças. Eles poderão ficar bem mal acostumados, com um computador "inteligente" fazendo muita coisa por eles. Temos que realmente oferecer oportunidades deles exercitarem sua capacidade crítica e de análise, senão podemos criar uma geração bastante acomodada. Vamos pensando nisso...